AS IMPLICAÇÕES DO ABORTO ESPONTÂNEO NA SAÚDE PSÍQUICA DA MULHER: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
DOI:
https://doi.org/10.66104/bdj2mb80Palavras-chave:
aborto espontâneo, perda gestacional, saúde mental, luto perinatal, humanização da assistênciaResumo
O aborto espontâneo acomete 10 a 20% das gestações reconhecidas e representa evento de intenso impacto na saúde psíquica da mulher. Objetivou-se identificar os impactos na saúde mental da mulher após perda gestacional involuntária no Brasil e em contextos ibero-americanos. Realizou-se revisão integrativa na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando os descritores: aborto espontâneo AND luto, perda gestacional AND luto, perda gestacional AND saúde mental, luto perinatal AND Brasil, e aborto espontâneo AND saúde mental. Incluíram-se artigos originais em português, publicados entre 2020 e 2026, que abordassem aborto espontâneo ou perda gestacional involuntária e sua relação com saúde mental. Foram selecionados sete artigos para análise. Os resultados evidenciaram que a perda gestacional configura experiência de elevado impacto psíquico, caracterizada por luto frequentemente não reconhecido socialmente. Identificou-se a invisibilidade do luto gestacional pelos serviços de saúde, com assistência predominantemente tecnicista e ausência de equipes de saúde mental hospitalar. Observou-se que 71,1% das mulheres manifestaram tristeza compatível com o luto, embora mais de 80% não apresentassem sintomas clínicos de ansiedade e depressão no período imediato. Estudos qualitativos revelaram sofrimento prolongado, com repercussões em gestações subsequentes. O apoio do parceiro, a rede sociofamiliar e a religiosidade emergiram como fatores protetores fundamentais. Conclui-se que a perda gestacional involuntária apresenta impacto significativo na saúde psíquica feminina, evidenciando urgência na qualificação profissional, reorganização dos serviços com protocolos específicos para luto perinatal e implementação de práticas humanizadas.
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