BARREIRAS TÉCNICAS E PROFISSIONAIS PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA TELEMEDICINA EM ITUMBIARA
DOI:
https://doi.org/10.66104/8qx3h441Palabras clave:
Telemedicina, Atenção Primária à Saúde, Capacitação, Sistema Único de SaúdeResumen
Introdução: A telemedicina é oficialmente reconhecida no Brasil desde 2002 e passou a ser implementada no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de iniciativas do Ministério da Saúde, configurando-se como uma estratégia para ampliar o acesso à assistência em saúde, especialmente em contextos com limitações estruturais e escassez de profissionais. Objetivo: Analisar as barreiras técnicas e profissionais que dificultam a implementação efetiva da telemedicina na atenção básica do município de Itumbiara (GO), a fim de propor melhorias para sua integração à prática médica local. Materiais e Métodos: Trata-se de uma pesquisa de campo, observacional, descritiva e de abordagem quantitativo-qualitativa, realizada entre fevereiro e novembro de 2025 em Itumbiara (GO). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (parecer nº 7.672.153) e autorizado pela Secretaria Municipal de Saúde. Participaram 41 médicos com registro ativo no CRM-GO, atuantes em sete Estratégias de Saúde da Família e no Ambulatório Municipal José Gomes da Rocha, todos voluntários e signatários do TCLE. A etapa quantitativa consistiu na aplicação de questionário estruturado, respondido por 40 médicos. A etapa qualitativa foi composta por entrevista semiestruturada com 1 médico responsável pela implantação do serviço de telemedicina no ambulatório municipal. As respostas foram analisadas por estatística descritiva e pela técnica de análise de conteúdo temática de Bardin (2016). Resultado e Discussão: Verificou-se que 65,0% (26/40) dos médicos já utilizaram telemedicina. Entre os usuários (n=26), predominou o uso raro (65,4%). As principais barreiras identificadas foram a falta de interação física com o paciente (42,5%), a baixa adesão dos pacientes (37,5%), a instabilidade da internet (35,0%) e a insuficiência de treinamento específico (17,5%). Apesar desses entraves, 92,3% (36/39) dos participantes consideraram a telemedicina essencial para o futuro da saúde. Conclusão: A telemedicina em Itumbiara enfrenta desafios estruturais, profissionais e culturais. É essencial investir em infraestrutura digital, capacitação contínua e alfabetização tecnológica da população para fortalecer sua aplicação no SUS.
Palavras-chaves: Telemedicina. Atenção Primária à Saúde. Capacitação. Sistema Único de Saúde
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