GESTÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE NO SUS: SABERES PROFISSIONAIS, MICROPOLÍTICA DO TRABALHO E MODELOS ORGANIZACIONAIS
DOI:
https://doi.org/10.66104/9xktda16Palavras-chave:
Gestão em Saúde, Sistema Único de Saúde, Micropolítica do Trabalho, Organização dos Serviços de Saúde, Saberes Profissionais, Gestão HospitalarResumo
O presente estudo visa analisar os desafios contemporâneos da gestão dos serviços de saúde no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), com ênfase nos saberes profissionais, nas dinâmicas micropolíticas do trabalho em saúde e nos processos de reorganização institucional em serviços de atenção primária e hospitalar. A metodologia empregada se qualifica em um estudo teórico-analítico de natureza qualitativa, fundamentado em revisão bibliográfica crítica e análise conceitual interdisciplinar acerca da gestão em saúde, dos processos organizacionais e das racionalidades institucionais presentes no trabalho em saúde. Este articula contribuições da sociologia das organizações, da micropolítica do trabalho e da gestão colegiada, tomando como eixo analítico os saberes profissionais e as relações de poder nos serviços de saúde. A análise evidencia que a gestão dos serviços de saúde ultrapassa dimensões estritamente técnico-administrativas, envolvendo processos complexos de negociação, produção de subjetividades, construção de autonomia profissional e reorganização do trabalho coletivo. Identificou-se que os saberes indeterminados e os processos micropolíticos assumem papel estratégico na conformação das práticas gerenciais, especialmente em contextos marcados por descentralização, integralidade do cuidado e democratização institucional. No âmbito hospitalar, verificou-se que modelos de gestão colegiada e reorganização da ambiência institucional podem favorecer práticas interdisciplinares, maior participação dos trabalhadores e fortalecimento da produção do cuidado. A consolidação de modelos democráticos de gestão em saúde requer a superação de racionalidades burocráticas tradicionais e o fortalecimento de processos participativos, interdisciplinares e centrados na produção do cuidado. Conclui-se que a gestão em saúde constitui dimensão estratégica para a efetivação dos princípios do SUS, exigindo articulação entre saberes técnicos, processos coletivos de decisão e práticas institucionais orientadas pela integralidade, equidade e humanização da assistência.
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